Período de exposição: Março e abril de 2010.

Local: Sesc Ribeirão Preto.

Conceito:

Conforme propõe a teoria da Gestalt, a percepção dos indivíduos capta primeiramente o todo e depois o conjunto das partes que o compõem. Buscando atuar nesses diferentes níveis de percepção dos observadores, o trabalho descreve imageticamente algumas conceituações sobre as mudanças no processo produtivo, que têm sido descritas por autores como Giuseppe Cocco, Gilvan Vilarim (2009)* e Antonio Negri (2004)** que consistem numa passagem de um capitalismo industrial para um capitalismo cognitivo.

Concebido digitalmente, o painel é impresso numa estrutura de 1,60 metros de altura e 7,40 de largura. É composto por duas grandes imagens que representam aspectos das concepções relatadas acima. Com a utilização da técnica halftone, estas imagens são decompostas em uma infinidade de pontos. A técnica possibilita que os diferentes tamanhos e espaçamentos entre os pontos produzam uma ilusão ótica num indivíduo posicionado a uma determinada distância, o que gera a percepção de diferentes níveis de cinza ou de uma determinada cor.

No trabalho, os pontos que resultam desta decomposição são substituídos por uma diversidade de ícones. Segundo Santaella (2004)***, a luz da teoria de Pierce, o ícone seria “[...] um signo que significa seu objeto porque, de alguma maneira, assemelha-se a ele [...]”.

Além de significarem seus próprios objetos, os ícones neste trabalho, por meio de variados tipos de interconexões e configurações, formam uma representação visual que atribui significação à imagem como um todo.

Intenção / Objetivo da Criação:

O trabalho tem como ponto de partida a mudança nos processos produtivos descrita no artigo “Trabalho imaterial e produção de software no capitalismo cognitivo” Giuseppe Cocco e Gilvan de Oliveira Vilarim* e no livro “5 lições sobre Império” de Antonio Negri**.

Buscou-se descrever imageticamente alguns aspectos do que se percebe como uma reorganização do mundo produtivo, que gradativamente vai sendo menos baseado em esforços musculares repetitivos e especializados programados num tempo de trabalho planejado, enquanto se torna maior a dependência da captação do valor de elementos inovadores de atividades cognitivo-produtivas que emergem da socialização de indivíduos nas redes (trabalho imaterial) e que se dão num “tempo de trabalho” e “tempo de vida” que se confundem.