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Ciber-debate, Web 2.0 »
por Francisco Arlindo Alves
Para o filósofo italiano Antonio Negri (2003, p. 94) a “originalidade do capitalismo cognitivo consiste em captar, em uma atividade social generalizada, os elementos inovadores que produzem valor”. Fundamentada na obra “Grundrisse der Kritik der Politischen Ökonomie” de Marx, a proposição de Negri é que as recentes transformações na força produtiva determinam que o trabalho se torne uma atividade cognitiva, tendo como figura central, a ascensão do “trabalho imaterial” concebido como o “conjunto das atividades intelectuais, comunicativas, afetivas, expressas pelos sujeitos e pelos movimentos sociais”.
Na esteira do que foi preconizado por Negri e enfocando críticamente as atividades dos indivíduos na Internet, Tiziana Terranova (2000) elabora uma reflexão baseada na idéia do “free labor” (trabalho gratuito) em que os indivíduos abraçam prazeirosamente atividades produtivas sem remuneração ao mesmo tempo que são explorados economicamente. Neste sentido, podemos entender, por exemplo, sites como Youtube e Second Life apenas como grandes repositórios, sendo que todo seu valor consiste numa construção realizada por contribuições dos usuários. Nesta categoria se encaixariam inclusive o desenvolvimento voluntário de softwares open-source, ao se constatar que este tipo de trabalho é cada vez mais executado em harmonia com grandes projetos de empresas com um estrutura patronal como no caso da IBM.
Trebor Scholz sugere a existência de uma ideologia de participação Web 2.0, se tornando uma ideologia do trabalho imaterial gratuito. Scholz remete ao crowdsourcing, uma adaptação do outsourcing que abrange entre suas modalidades a terceirização. Utilizando este recurso, uma empresa pode transferir uma atividade interna para um grupo grande de pessoas executá-la externamente a um custo inferior. No contexto da chamada Web 2.0, em contrapartida de uma suposta gratuidade de serviços oferecidos na Internet, as pessoas revelam informações sobre seus gostos e preferências e agregam valor a estes serviços. Entretanto, em oposição a esta visão, outros pensadores como Tapscott e Williams (2007) em seu trabalho “Wikinomics”, entendem estas práticas como uma dinâmica de trocas vantajosas para ambas as partes, constituindo novos e interessantes paradigmas nos modelos de negócio.
Discutir modelos de negócio de plataformas de serviços na Internet implica em entender as diferentes estratégias de geração de renda para estes serviços. Entre outras, estas podem ser: a apropriação da criatividade do usuário, a venda da atenção para anunciantes, a montagem de valiosos bancos de dados com as informações sobre preferências e gostos.
A relação da “cibernética, trabalho e capital” tratados por Donna Haraway (2000) em seu “Manifesto Ciborgue” é uma das principais referências de Terranova (2000) ao tratar o free labor (apesar da antipatia de Haraway a Marx). De fato ao analisar este tema, bem como os modelos de negócio é adequado lembrar o “jogo mortal” para que Haraway alerta quanto “à mudança: de uma sociedade industrial, orgânica, para um sistema polimorfo informacional; de uma situação de “só trabalho” para uma situação de ”só lazer” que significa “a transição das velhas e confortáveis dominações hierárquicas para as novas e assustadoras redes” que ela define como “informática da dominação” (2000, p.65).
Referências
HARAWAY, Donna. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org). Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. Existe um tradução colaborativa online desta obra no interressante projeto Deriva
Marx, Grundrisse der Kritik der politischen Ökonomie [Esboços de uma crítica da economia política], Berlim 1953
NEGRI, Antonio. Cinco lições sobre império. Tradução: Alba Olmi. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
SCHOLZ, Trebor. Market Ideology and the Myths of Web 2.0. First Monday, Volume 13, Numero 3.
TAPSCOTT, Don e WILLIAMS, Anthony. Wikinomics – Como a colaboração em massa pode mudar seu negócio. Tradução: Marcello Lino. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,2007.
TERRANOVA, Tiziana. Free Labor: Producing Culture for the Digital Economy, Social Text. vol. 18, número 2, páginas 33-57. 2000
Ciber-debate, Inteligência Coletiva, Web 2.0 »
por Francisco Arlindo Alves
Já abordamos rapidamente em posts anteriores questões ligadas ao capitalismo cognitivo. Complementando esta discussão segue abaixo uma pequena lista de links com textos que analisam a colaboração e a participação nas mídias sociais e como elas são exploradas pelos grupos econômicos:
O primeiro é um tipo de manifesto anti-Myspace / Facebook (caberia o mesmo em relação ao Orkut). Este manifesto, é uma crítica contundente as corporações que comandam estas redes sociais. Segundo esta visão, estes grupos econômicos aprisionam os indivíduos, causam dependência e principalmente exploram seus participantes e seus laços sociais. Como resposta para escapar destas armadilhas, sugere que todos encerrem suas contas pessoais nestes serviços, e adotem soluções inspiradas no software livre ou código aberto como o Franklin Street Statement que é uma alternativa às praticas de cloud computing ou Identi.ca que é uma alternativa ao Twitter.
O manifesto esta em :
techno tranny slut
Este “manifesto” é uma das referências apresentadas em outra interessante discussão sobre as corporações, software livre e colaboração que estão presentes nos comentários de Raoul Victor reproduzidos no site da P2P Foundation por Michel Bauwens.
[aqui].
E é de Bauwens, uma outra dica de uma série de artigos sobre modelos de negócios ligados à estratégias de código aberto.
[aqui].
Trebor Scholz sugere uma conferida na discussão sobre controle, no contexto da ferramenta Latitude do Google que oferece a geolocalização dos participantes numa rede social integrada a celulares:
[aqui]
Para completar, a polêmica sobre questões que envolvem invasão de privacidade por ocasião do anuncio (oficial) do presidente-executivo da rede social Facebook, Mark zuckerberg, sobre a intenção de comercialização das informações dos 150 milhões de usuários do serviço.
[aqui]
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por Francisco Arlindo Alves
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por Francisco Arlindo Alves

Nos próximos posts, começarei publicar breves comentários a respeito de 15 obras recentes sobre novas mídias ou ligadas as novas mídias que de múltiplas perspectivas (muitas vezes opostas e contraditórias) demonstram tendências, reflexões e percepções em que podemos perceber oportunidades e aspectos benéficos e ao mesmo tempo armadilhas e perigos. Em minha análise se configura a emergência de um cenário ambíguo, permeado de contradições. Novas formas de produção e de organização desta mesma produção proporcionam novas liberdades e promissoras possibilidades de emancipação aparecem na mesma medida que podemos encontram novas formas de concentração de poder e controle. Entretanto nesta série de posts não pretendo ainda observar criticamente as obras, mas apenas entender melhor os pontos de vista dos autores. Os curtos comentários a respeito das obras selecionadas que me proponho fazer aqui, são baseados na minha própria leitura como também na análise destas obras por sites conceituados (principalmente as obras muito recentes, que não tive acesso ainda).
Leia sobre os livros que já foram comentados nesta série.
Alguns dos sites que serviram como referência foram:
http://www.convergenceculture.org/weblog
http://produsage.org/
http://blog.p2pfoundation.net/
http://arstechnica.com
http://www.americanscientist.org
http://mastersofmedia.hum.uva.nl
http://www.schneier.com/blog/
http://www.nettime.org
No decorrer desta série de posts serão acrescentadas outras referências.
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por Francisco Arlindo Alves
O termo Mashup antes de ser relacionado aos serviços de internet, teve sua origem na música, e neste contexto significa a prática de fazer uma música usando pedaços de outras duas ou três músicas. Não é uma prática recente, em 1956, Bill Buchanan and Dickie Goodman fizeram sucesso com a canção paródia “The Flying Saucer” (Disco Voador). A canção reproduzia a locução de Orson Welles sobre a invasão de discos voadores que assustou muitas pessoas em 1930, numa adaptação do livro “Guerra do Mundos” H.G. Wells. Apesar do sucesso, a idéia de mistura idéias causou problemas na justiça com questões relacionadas a direitos autorais.
A prática foi utilizada pelo Djs Jamaicanos nos 70 cuja influência chegou aos anos 90 com a explosão da música eletrônica e do Hip-Hop, quando a prática de misturar músicas se espalha e passa a ser feita não apenas com músicas, mas também com vídeos.
Na Internet, os mashups são serviços disponíveis em sites, Leia o texto completo »
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por Francisco Arlindo Alves
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Google makes handset debut with rival to iPhone
O link acima direciona para a matéria do Guardian que aborda o lançamento do T-Mobile G1, o chamado telefone do Google. O aparelho tentar se diferenciar do iPhone, propondo ser um dispositivo que pode agregar e compartilhar recursos criados pelos usuários, criando um ambiente favorável à inovação. O G1 utiliza o ‘Android’, sistema operacional aberto para celular lançado pelo Google. E assim o google vai empreendendo suas guerras em vários fronts…
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por Francisco Arlindo Alves
A jornalista Juliana Vilas 29, codinome “Pássara” (como esta no seu site) armada apenas com seu celular Nokia N95 diariamente registra e publica vídeos, fotos e textos no URBLOG com curiosas histórias do cotidiano da capital paulista. Como no caso das mulheres que lavam a calçada com mangueiras, o acompanhamento das pessoas que “recolhem” mendigos, a dica de uma lanchonete no centro, ou um parque na períferia. Ela aceita sugestões dos leitores, sobre lugares interessantes a serem explorados.
O pensador das novas mídias Yochai Benkler (2006, p. 2), afirma que “Uma economia baseada na informação, com processadores de alta capacidade, cada vez mais baratos, funcionando numa rede impregnante de alta prenetrabilidade”, está permitindo uma crescente produção fora dos sistemas de mercado, dos setores que dominam informação e cultura. Leia o texto completo »
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por Francisco Arlindo Alves
Este vídeo foi criado por mim é um pequeno roteiro para usuários sem conhecimentos técnicos, que mostra como é possivel publicar textos no Blogger, a partir do Flickr e usufruir de milhões de imagens compartilhadas pelos usuários do site.
De maneira simples, rápida e seguindo a filosofia do trabalho colaborativo, quem publica imagens tem seu trabalho divulgado nos blogs e quem publica textos tem seu conteúdo enriquecido por imagens interessantes. Este vídeo foi criado como complemento aos conteúdos relacionados a Web 2.0 na disciplina de Tecnologias Interativas na Educação Virtual ministrada pelo Professor Romero Tori do Mestrado em Design do Senac- SP do qual sou aluno.
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por Francisco Arlindo Alves
Para o filósofo Antonio Negri (2003, p. 94) “A originalidade do capitalismo cognitivo consiste em captar, em uma atividade social generalizada, os elementos inovadores que produzem valor”. As críticas ao Google relacionadas ao desrespeito à privacidade nos fazem pensar na validade da afirmação. Marshall Kirkpatrick do ReadWriteWeb publicou uma análise dos Termos de Serviço do recém lançado navegador do Google Chrome , e revelou trechos nos quais os usuários eram obrigados a permitir o compartilhamento com outras empresas de qualquer conteúdo enviado, escrito ou publicado (de forma semelhante aos termos do Google Docs). O Google logo em seguida afirmou que utiliza termos de serviço universais em muitos produtos para facilitar a vida dos usuários, e rapidamente retirou os itens criticados do contrato. Complementando o texto foi lembrada uma série de polêmicas relacionadas ao Google, entre elas os casos Google x Viacom, Olimpíadas, Google reader e Google Health. Neste sentido podemos pensar uma ideologia de participação Web 2.0, pode se tornar uma ideologia do trabalho imaterial grátis como afirma Trebor Scholz. Alguns afirmam ser uma troca. É uma troca justa? Leia o texto completo »
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por Francisco Arlindo Alves
O Google anunciou o lançamento do seu novo navegador de código aberto chamado Chrome. Isso acontece uma semana depois da Microsoft anunciar uma versão teste do seu browser o Internet explorer 8. Com Chrome o Google promete inovação na otimização de memória, com um sistema de coleta de lixo digital. O browser promete proteger o usuário de ameaças de malware usando o mesmo sistema de listas negras que impedem que o sistema de busca do Google seja corrompido.
Podemos perceber tonalidades bem claras desta guerra que definem seus exercitos e suas visões de mundo:
A Microsoft afirma que seu Internet Explorer é superior porque tem um preocupação com privacidade, possibilitando que informações que um usuario não deseja compartihar sejam preservadas. Fazer coisas fechadas e que não sejam compartilhadas faz parte da filosofia da empresa.
Enquanto isso, o grande négocio do Google é utilizar os dados dos indivíduos, para melhorar cada vez suas ferramentas de procura, e incentivar a partipação das pessoas para agregar valor aos seus próprios produtos. Leia o texto completo »







