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Artigos indexados com as tags: controle

Ciber-debate, Design, Salada total »

por Francisco Arlindo Alves

[22 Jun 2009 | Comments Off | 4,344 views]


IS102-026
Originally uploaded by
Noah Sachs

É uma estupidez. É pior do que estupidez… É uma campanha de marketing… Esta opinião sobre ascensão da Cloud Computing foi proferida esta semana pelo ativista político do software livre Richard Stallman e tem gerado polêmica.
Cloud Computing (computação em nuvem) é uma arquitetura de computação cada vez mais utilizada e que consiste na virtualização de aplicativos, processamento e armazenamento de dados. Exemplos de Cloud Computing mais famosos são os aplicativos do Google como Google Docs, Gmail ou o Adobe Photoshop Express, eles permitem que computadores menos potentes possam ter acesso a recursos poderosos em servidores na Web muitas vezes de forma gratuita.
O que os críticos da Cloud Computing alegam é que os serviços disponibilizados mais perigosos do que os do software proprietário tradicional, pois além do usuário não ter acesso ao código do software (como sempre aconteceu com o Windows), a própria produção usuário fica arquivada no computadores do proprietário do software (como acontece no Google). A inacessibilidade do código prejudica a inovação e oculta uso que empresas como o Google fazem de milhões de informações recolhidas em sua “nuvem”, o que gera suspeitas de estratégias de monopólio, controle e dominação.
A discussão entre prós e contras da fala de Stallman é polêmica, no Maestros del Web por exemplo, um fórum de desenvolvedores latino americanos, os defensores da Cloud Computing defendiam a praticidade e conforto de poder acessar dados de qualquer lugar e de usar recursos poderosos de computação de maneira gratuita, Leia o texto completo »

Ciber-debate, Web 2.0 »

por Francisco Arlindo Alves

[2 Jun 2009 | Comments Off | 1,012 views]


Disposable, originalmente publicado por Crow v.

Para o filósofo italiano Antonio Negri (2003, p. 94) a “originalidade do capitalismo cognitivo consiste em captar, em uma atividade social generalizada, os elementos inovadores que produzem valor”. Fundamentada na obra “Grundrisse der Kritik der Politischen Ökonomie” de Marx, a proposição de Negri é que as recentes transformações na força produtiva determinam que o trabalho se torne uma atividade cognitiva, tendo como figura central, a ascensão do “trabalho imaterial” concebido como o “conjunto das atividades intelectuais, comunicativas, afetivas, expressas pelos sujeitos e pelos movimentos sociais”.

Na esteira do que foi preconizado por Negri e enfocando críticamente as atividades dos indivíduos na Internet, Tiziana Terranova (2000) elabora uma reflexão baseada na idéia do “free labor” (trabalho gratuito) em que os indivíduos abraçam prazeirosamente atividades produtivas sem remuneração ao mesmo tempo que são explorados economicamente. Neste sentido, podemos entender, por exemplo, sites como Youtube e Second Life apenas como grandes repositórios, sendo que todo seu valor consiste numa construção realizada por contribuições dos usuários. Nesta categoria se encaixariam inclusive o desenvolvimento voluntário de softwares open-source, ao se constatar que este tipo de trabalho é cada vez mais executado em harmonia com grandes projetos de empresas com um estrutura patronal como no caso da IBM.

Trebor Scholz sugere a existência de uma ideologia de participação Web 2.0, se tornando uma ideologia do trabalho imaterial gratuito. Scholz remete ao crowdsourcing, uma adaptação do outsourcing que abrange entre suas modalidades a terceirização. Utilizando este recurso, uma empresa pode transferir uma atividade interna para um grupo grande de pessoas executá-la externamente a um custo inferior. No contexto da chamada Web 2.0, em contrapartida de uma suposta gratuidade de serviços oferecidos na Internet, as pessoas revelam informações sobre seus gostos e preferências e agregam valor a estes serviços. Entretanto, em oposição a esta visão, outros pensadores como Tapscott e Williams (2007) em seu trabalho “Wikinomics”, entendem estas práticas como uma dinâmica de trocas vantajosas para ambas as partes, constituindo novos e interessantes paradigmas nos modelos de negócio.

Discutir modelos de negócio de plataformas de serviços na Internet implica em entender as diferentes estratégias de geração de renda para estes serviços. Entre outras, estas podem ser: a apropriação da criatividade do usuário, a venda da atenção para anunciantes, a montagem de valiosos bancos de dados com as informações sobre preferências e gostos.

A relação da “cibernética, trabalho e capital” tratados por Donna Haraway (2000) em seu “Manifesto Ciborgue” é uma das principais referências de Terranova (2000) ao tratar o free labor (apesar da antipatia de Haraway a Marx). De fato ao analisar este tema, bem como os modelos de negócio é adequado lembrar o “jogo mortal” para que Haraway alerta quanto “à mudança: de uma sociedade industrial, orgânica, para um sistema polimorfo informacional; de uma situação de “só trabalho” para uma situação de ”só lazer” que significa “a transição das velhas e confortáveis dominações hierárquicas para as novas e assustadoras redes” que ela define como “informática da dominação” (2000, p.65).

Referências

HARAWAY, Donna. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org). Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. Existe um tradução colaborativa online desta obra no interressante projeto Deriva

Marx, Grundrisse der Kritik der politischen Ökonomie [Esboços de uma crítica da economia política], Berlim 1953

NEGRI, Antonio. Cinco lições sobre império. Tradução: Alba Olmi. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

SCHOLZ, Trebor. Market Ideology and the Myths of Web 2.0. First Monday, Volume 13, Numero 3.

TAPSCOTT, Don e WILLIAMS, Anthony. Wikinomics – Como a colaboração em massa pode mudar seu negócio. Tradução: Marcello Lino. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,2007.

TERRANOVA, Tiziana. Free Labor: Producing Culture for the Digital Economy, Social Text. vol. 18, número 2, páginas 33-57. 2000

Ciber-debate, Inteligência Coletiva, Web 2.0 »

por Francisco Arlindo Alves

[8 Feb 2009 | Comments Off | 809 views]


c4_crowdsourcing Originally uploaded by
Juan Freire

Já abordamos rapidamente em posts anteriores questões ligadas ao capitalismo cognitivo. Complementando esta discussão segue abaixo uma pequena lista de links com textos que analisam a colaboração e a participação nas mídias sociais e como elas são exploradas pelos grupos econômicos:

O primeiro é um tipo de manifesto anti-Myspace / Facebook (caberia o mesmo em relação ao Orkut).  Este manifesto, é uma crítica contundente as corporações que comandam estas redes sociais. Segundo esta visão, estes grupos econômicos aprisionam os indivíduos, causam dependência e principalmente exploram seus participantes e seus laços sociais. Como resposta para escapar destas armadilhas, sugere que todos encerrem suas contas pessoais nestes serviços, e adotem soluções inspiradas no software livre ou código aberto como o Franklin Street Statement que é uma alternativa às praticas de cloud computing ou Identi.ca que é uma alternativa ao Twitter.

O manifesto esta em :
techno tranny slut

Este “manifesto” é uma das referências apresentadas em outra interessante discussão sobre as corporações, software livre e colaboração que estão presentes nos comentários de Raoul Victor reproduzidos no site da P2P Foundation por Michel Bauwens.
[aqui].

E é de Bauwens, uma outra dica de uma série de artigos sobre modelos de negócios ligados à estratégias de código aberto.
[aqui].

Trebor Scholz sugere uma conferida na discussão sobre controle, no contexto da ferramenta Latitude do Google que oferece a geolocalização dos participantes numa rede social integrada a celulares:
[aqui]

Para completar, a polêmica sobre questões que envolvem invasão de privacidade por ocasião do anuncio (oficial) do presidente-executivo da rede social Facebook, Mark zuckerberg, sobre a intenção de comercialização das informações dos 150 milhões de usuários do serviço.
[aqui]

Ciber-debate »

por Francisco Arlindo Alves

[18 Sep 2008 | Comments Off | 526 views]


Toast art mosaic Originally
uploaded by knautia

Controlar a qualidade dos conteúdos que são exibidos na TV. Mas quem vai fazer o controle? O governo? Uma comissão “representativa” da sociedade ? Ou os próprios cidadãos em suas casas? Parece ser mais democrático, que cada um possa controlar o conteúdo exibido em sua casa conforme seus valores, pois a definição de qualidade é subjetiva, e não deveria ser imposta, seja pelo governo ou por supostos representantes da sociedade.
Aqui no Brasil, apesar da regulamentação do V-CHIP (recurso que dá ao telespectador o poder de bloquear conteúdos, mediante uma pré-classificação) as pessoas são sabem como usar o dispositivo ou mesmo desconhecem sua existência, sendo impossível avaliar sua eficácia. As classificações da programação, são feitas de cima-para-baixo pelo governo e por pequenos grupos mobilizados que supostamente representam a sociedade, mas que efetivamente nunca vão representar inteiramente a diversidade de pensamento e valores dentro de cada grupo ou classe social. Desta forma temos que engolir o que um colegiado define como qualidade, seus conceitos de obscenidade ou violencia, anulando nossa própria capacidade crítica diante da TV.
Matthew Lasar no Ars Tecnica fez um panorama sobre estas questões nos Estados Unidos, ele aborda a experiência do TV Watch que disponibiliza um excelente tutorial “fácil como uma torradeiraLeia o texto completo »