Home » Arquivos

Artigos indexados com as tags: concentração

Ciber-debate, Salada total, Variedades »

por Francisco Arlindo Alves

[29 Jun 2009 | Comments Off | 897 views]

Lembro de quando eu era criança, morando numa rua pacata, num bairro residencial da zona leste de São Paulo, e me deparava com dois ou as vezes três sósias de Michael Jackson durante o curto trajeto de uma simples ida ao supermercado para comprar pão. Parecia que o mundo havia sido “tomado”.
A sensação que a notícia da morte de Michael nos deixa, conforme descreveu Hector Lima em seu blog, é como se algo no patamar de Mickey Mouse, Super-Homem e McDonald’s tivesse acabado. O sentimento é estranhamente de um acontecimento inverossímel.
O interesse sobre o artista quase parou a internet. O gráfico acima mostra o pico de pesquisas sobre Michael Jackson no sistema de busca Google por acasião do anúncio de sua morte ( a empresa não divulga os números detalhados).
Com as mudanças nas mídias, talvez nunca mais, se reunam as condições para que um artista construa um sucesso da magnitude que Michael Jackson conseguiu durante a época de Thriller.
O sucesso de outros artistas, como Elvis Presley ou Beatles, diferente do de Michael, sintetizaram possivelmente em mudanças comportamentais mais profundas e na consolidação de uma cultura jovem, mas pode ser que mundo nunca tenha simultaneamente concentrado tanto a atenção num só artista como durante alguns anos da década de 80.
O fenômeno Michael Jackson pode ter sido o resultado da coincidência do momento máximo de um grande talento com o apogeu da estrutura centralizada das mídias em torno da televisão, que atingia universos de receptores nos contextos mais distantes e diversificados, numa fase ainda pouco afetada pelo vídeo ou pelo zapping do controle remoto entre os canais.
Com crescimento da internet, um sucesso tão abrangente pode não mais se repetir, devido a grande competição por atenção, e fragmentação do público em redes de “comunicação eletrônica interativa de comunidades auto-selecionadas” como afirma Castells.
Com um certo simbolismo, podemos considerar que com a morte de Michael tivemos o encontro de dois universos, o mundo da Internet (que ainda principia), e o mundo da televisão (que ainda domina, mas sente a influência de mudanças).  A grande façanha deste encontro de diferentes mundos, foi reproduzir ainda que por alguns dias, o que aconteceu durante alguns anos na decada de 80:

O mundo parou para ver Michael Jackson…

______________________

Segue algumas repercussões:

O dia em que a Internet quase morreu
O pesquisador Marcos Palacios comenta sobre o pico de tráfego com 4.2 milhões de visitantes (mais que o dobro do normal) nas horas seguintes ao anúncio da morte de Michael Jackson. O fenomêno que a AOL denominou como “a seminal moment in Internet history”.

Os Gemidos da Internet sob peso de tráfego de Michael Jackson
O Ars technica usa este título sugestivo pra descrever como Twitter, o Google, Facebook, diversos sites de informação, e até mesmo o iTunes foram praticamente esmagados sob o peso do repentino aumento de tráfego Internet.

Infográfico interativo
O Jornal New York Times criou um infográfico interativo com as posições de Michael Jackson no ranking da revista Billboard. É possivel fazer comparações com outros artistas famosos como Beatles ou U2. Via information aesthetics

Ciber-debate, Web 2.0 »

por Francisco Arlindo Alves

[9 Sep 2008 | Comments Off | 994 views]

Para o filósofo Antonio Negri (2003, p. 94) “A originalidade do capitalismo cognitivo consiste em captar, em uma atividade social generalizada, os elementos inovadores que produzem valor”. As críticas ao Google relacionadas ao desrespeito à privacidade nos fazem pensar na validade da afirmação. Marshall Kirkpatrick do ReadWriteWeb publicou uma análise dos Termos de Serviço do recém lançado navegador do Google Chrome , e revelou trechos nos quais os usuários eram obrigados a permitir o compartilhamento com outras empresas de qualquer conteúdo enviado, escrito ou publicado (de forma semelhante aos termos do Google Docs). O Google logo em seguida  afirmou que utiliza termos de serviço universais em muitos produtos para facilitar a vida dos usuários, e rapidamente retirou os itens criticados do contrato. Complementando o texto foi lembrada uma série de polêmicas relacionadas ao Google, entre elas os casos Google x Viacom, Olimpíadas, Google reader e Google Health. Neste sentido podemos pensar uma ideologia de participação Web 2.0, pode se tornar uma ideologia do trabalho imaterial grátis como afirma Trebor Scholz. Alguns afirmam ser uma troca. É uma troca justa? Leia o texto completo »