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Sobre o Blog

O surgimento de uma crescente produção individual e cooperativa de informação e cultura, fora do sistema de mercado, se configura como uma grande ameaça aos grupos que se consolidaram no século passado como a industria do cinema em Hollywood, a indústria fonográfica, as empresas de rádio e televisão e alguns dos gigantes dos serviços de telecomunicações, no que Benkler define como “economia industrial da informação”. Se a transformação preconizada por ele de fato ocorrer, “levará a uma substancial redistribuição do poder e dinheiro dos produtores de informação, cultura e comunicação do século XX – para uma combinação de populações amplamente difusas pelo globo no novo século (Benkler, 2006).

Supondo que o cenário descrito é factível, podemos dizer que chegamos a um momento pré-paradigmático pois, “Para quem obteve resultados satisfatórios com o paradigma anterior, o processo de adoção de novo paradigma pode resultar devastador” na visão de Perez (2001, p.123). Benkler descreve o que poderíamos considerar como um ambiente de crise, onde já há uma grande batalha que envolve vasta gama de leis e instituições, relacionadas a direitos autorais, hardware, software, comércio internacional, registros de domínios, receptores de televisão digital que estão sendo interpretados ou desfigurados segundo a ótica de fazer as coisas de um modo ou de outro modo (Benkler, 2006, p. 23).

Esta grande batalha jurídica pode ser o que Perez (1986) descreveu como a busca de novo marco sociopolítico, que surge em meio a transformações de um paradigma. Neste momento, a batalha se dá pela proposição de barreiras e proteções, o que vai contra a essência da Internet, que é um meio multimodal, versátil e diversificado e, por esta razão, consegue abarcar “todas as formas de expressão, valores, interesses e imaginações variadas, e conflitos diversos” afirma Castells (1999, p. 461). Para ele, a introdução de barreiras neste sistema “gera batalhas culturais cruciais para a nova sociedade nesse novo ambiente histórico, e cujo resultado predetermina o destino dos conflitos mediados por símbolos”.

Tudo isso é parte fundamental de uma escolha social e política – a escolha de como poderemos nos tornar seres humanos livres, iguais e produtivos sob novas condições tecnológicas e econômicas (Benkler, 2006).