Uma torradeira com imagens

Francisco Arlindo Alves


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Controlar a qualidade dos conteúdos que são exibidos na TV. Mas quem vai fazer o controle? O governo? Uma comissão “representativa” da sociedade ? Ou os próprios cidadãos em suas casas? Parece ser mais democrático, que cada um possa controlar o conteúdo exibido em sua casa conforme seus valores, pois a definição de qualidade é subjetiva, e não deveria ser imposta, seja pelo governo ou por supostos representantes da sociedade.
Aqui no Brasil, apesar da regulamentação do V-CHIP (recurso que dá ao telespectador o poder de bloquear conteúdos, mediante uma pré-classificação) as pessoas são sabem como usar o dispositivo ou mesmo desconhecem sua existência, sendo impossível avaliar sua eficácia. As classificações da programação, são feitas de cima-para-baixo pelo governo e por pequenos grupos mobilizados que supostamente representam a sociedade, mas que efetivamente nunca vão representar inteiramente a diversidade de pensamento e valores dentro de cada grupo ou classe social. Desta forma temos que engolir o que um colegiado define como qualidade, seus conceitos de obscenidade ou violencia, anulando nossa própria capacidade crítica diante da TV.
Matthew Lasar no Ars Tecnica fez um panorama sobre estas questões nos Estados Unidos, ele aborda a experiência do TV Watch que disponibiliza um excelente tutorial “fácil como uma torradeiraque ensina como as pessoas podem configurar seu V-CHIP. Nesta perspectiva também é importante pensar não só na qualidade, mas na quantidade de TV que a pessoa assiste, Lasar cita o cientista político Robert Putnam que desenvolveu o conceito clássico de capital social, Putnam afirma que pessoas que tem a televisão como sua principal fonte de entretenimento, gastam menos tempo visitando os amigos, se distraem menos, são menos interessadas em política, e estressam no trânsito se desconectam de uma vida cívica e social.
Com relação ao V-Chip é importante ter certa preocupação com relação ao controle. Podemos pensar que estamos controlando, quando na verdade podemos estar sendo controlados. Disfarçadamente na intuito de proteger a crianças de conteúdo abusivo, podem esta escondidas novas formas de controlar a sociedade por meios de barreiras a liberdade, como já ocorre no caso dos Cibercrimes. Estes aspectos exigem grande atenção da sociedade no sentido de proteger a liberdade, como no caso projeto do desenvolvimento do Super V-Chip cujos os estudos já foram solicitados pelo senado americano. Esta tecnologia possibilitaria o controle da programação não só da TV mas da internet e dos celulares.

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