Vampiros, o Google e o capitalismo cognitivo
por Francisco Arlindo Alves
Para o filósofo Antonio Negri (2003, p. 94) “A originalidade do capitalismo cognitivo consiste em captar, em uma atividade social generalizada, os elementos inovadores que produzem valor”. As críticas ao Google relacionadas ao desrespeito à privacidade nos fazem pensar na validade da afirmação. Marshall Kirkpatrick do ReadWriteWeb publicou uma análise dos Termos de Serviço do recém lançado navegador do Google Chrome , e revelou trechos nos quais os usuários eram obrigados a permitir o compartilhamento com outras empresas de qualquer conteúdo enviado, escrito ou publicado (de forma semelhante aos termos do Google Docs). O Google logo em seguida afirmou que utiliza termos de serviço universais em muitos produtos para facilitar a vida dos usuários, e rapidamente retirou os itens criticados do contrato. Complementando o texto foi lembrada uma série de polêmicas relacionadas ao Google, entre elas os casos Google x Viacom, Olimpíadas, Google reader e Google Health. Neste sentido podemos pensar uma ideologia de participação Web 2.0, pode se tornar uma ideologia do trabalho imaterial grátis como afirma Trebor Scholz. Alguns afirmam ser uma troca. É uma troca justa? O google nos oferece serviços gratuitos, e nós em contrapartida oferecemos nossa criatividade, e conhecimento de nossos gostos, nossas preferências… tudo isso gratuitamente, possibilitando que os serviços do Google se tornem melhores quanto mais são usados. Mas será que esta relação é equilibrada ? O Google sabe muito bem como nós usamos seus serviços, mas será que nós sabemos como é usada a riqueza de informações que cedemos ao Google gratuitamente? Creio que não.
Referencias:
NEGRI, Antonio. Cinco lições sobre império. Tradução: Alba Olmi. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
SCHOLZ, Trebor. “Market Ideology and the Myths of Web 2.0″ First Monday [Online], Volume 13 Number 3 (2 March 2008)
http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/view/2138/1945










