A trapaça do design
por Francisco Arlindo Alves
O filósofo Vilém Flusser (2007), em seu texto “Sobre a palavra design” sugere que o design faz com que toda cultura seja uma trapaça. Analisaremos brevemente alguns aspectos deste ensaio relacionado-os com a teoria sócio-histórica de Vygotsky.
Utilizando como exemplo a alavanca, Flusser afirma que o seu design é uma imitação do braço, um braço artificial que busca enganar a natureza por meio da técnica.
“Esse é o design que esta na base de toda cultura: enganar a natureza por meio da técnica” .(FLUSSER, p.184)
Neste sentido Engels em seu trabalho “A dialética da Natureza” afirma que a especialização da mão, conforme (1976, p.40), resulta na surgimento do instrumento (ferramenta), “e o instrumento implica a atividade especificamente humana, a reação transformadora do homem sobre a natureza… O Homem difere dos outros animais porque faz com que a natureza sirva aos seus propósitos, dominando-a”. Para Flusser, um ser humano é um design contra a natureza.
A função de elemento mediador nos processos de interação do homem e seu ambiente atribuída por Engels aos “instrumentos”, foi estendida aos signos pelo psicólogo russo Vygotsky (1984, p.9). Em sua teoria sócio-histórica desenvolvida em colaboração com o neuropsiquiatra Luria “os sistemas de signos (a linguagem, a escrita, o sistema de números), são criados pelas sociedades ao longo do curso da história humana e mudam a forma social e o nível de seu desenvolvimento cultural”. A analogia entre o signo e o instrumento esta fundamentada na função mediadora presente nestes conceitos.
Para Vygotsky o controle da Natureza e o controle do comportamento estão interligados, a intervenção do homem sobre a natureza altera a própria natureza humana. Da mesma forma o uso de signos condiciona o ser humano a uma estrutura particular de comportamento e cria processos psicológicos enraizados na cultura. [...] continua em “A trapaça do Design II”.










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