A trapaça do design II

Francisco Arlindo Alves


2001 SPACE ODYSSEY

Originally uploaded by Dioboss

[…] continuação de “A trapaça do design” […]
Podemos pensar na função mediadora do design, que por meio da superação da separação entre arte e técnica, nos proporciona viver de modo cada vez mais artificial (mais bonito), substituíndo o que é autêntico por artefatos artificiais perfeitos ( Flusser, 2007). Se pensamos na abordagem de Vygostsky podemos sugerir que o design modifica a forma social e o desenvolvimento cultural das sociedades o que resulta no condicionamento do comportamento.
“Graças a palavra design toda cultura é uma trapaça, de modo que somos trapaceiros trapaceados, e de que todo envolvimento com a cultura é uma espécie de auto-engano” (FLUSSER, p. 185).
Para Marx (1988, p. 204) os homens “usam as propriedades mecânicas, físicas e químicas dos objetos, fazendo-as atingirem como forças que afetam outros objetos no sentido de atingir seus objetivos pessoais”.
Flusser, ao fazer uma auto-análise dos objetivos de seu ensaio, se propõe a uma confissão: de que seu texto segue um design determinado: Revelar aspectos pérfidos e ardilosos da palavra design que normalmente ocultados. Se tivesse optado por outro design provavelmente chegaria a uma explicação totalmente distinta e igualmente plausível. Desta forma afirma Flusser: “tudo depende do design”.

Referências:

ENGELS, Friedrich. A dialética da natureza. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

MARX, Karl. O Capital – crítica da economia política. Livro 1, Volume I. 14 ed. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil , 1994

VIGOTSKI, Lev Semenovich. A formação social da mente: O desenvolvimento de processos psicológicos superiores. Tradução: Jose Cipolla Neto. São Paulo: Editora Martins Fontes, 6a. ed. 1998.

Tags: